Contra a mentira e o terror

Luta firme na <i>TAP</i>

Para suster as lutas convocadas para o Grupo TAP, e que se iniciam amanhã, com uma greve de 48 horas, as administrações da empresa-mãe e da SPdH/Groundforce recorrem ao «terrorismo mediático».

Urge obter garantias antes das eleições

A acusação - acompanhada de um apelo à união dos trabalhadores e a uma adesão maciça às greves totais de 28 e 29 de Agosto e de 11 e 12 de Setembro, bem como à recusa de trabalho suplementar, de 28 de Agosto até final de Setembro – foi feita pela Comissão de Trabalhadores da SPdH, num comunicado em que reagiu às declarações públicas de Fernando Pinto e Fernando Melo.
Entretanto, para ontem, os cinco sindicatos representativos do pessoal das empresas do Grupo TAP convocaram uma conferência de imprensa, na sede do Sitava/CGTP-IN, para falarem sobre os problemas actuais e a luta «por soluções políticas, que garantam a viabilização das empresas e a manutenção de milhares de postos de trabalho».
No comunicado da CT da SPdH, emitido segunda-feira, o presidente-executivo da TAP é acusado de pretender reduzir os direitos dos trabalhadores, incrementando a flexibilidade, a precariedade e a insegurança no emprego. Os objectivos de Fernando Pinto passam por «promover uma campanha de alarme, instalando o medo, tentando paralisar e condicionar sindicatos, trabalhadores, os seus familiares e amigos, bem como a opinião pública, colocando em causa a legitimidade das formas de luta já decretadas». Quer ainda «transferir, de forma abusiva, para alguns trabalhadores, as consequências dos seus erros de gestão» (como a compra de aviões em início de crise, os negócios da VEM e da PGA, a alienação da SPdH).
Em entrevista ao diário i, Fernando Pinto «chega ao cúmulo de dizer que os aumentos na SPdH em 2008 foram de três por cento», quando ele próprio «assinou o protocolo de 15 de Julho de 2008, onde, no seu ponto 5.º, estava explicitamente referido que “não haverá actualização salarial em 2008”», protesta a CT. Logo que a entrevista saiu, no dia 14, a CT emitiu uma nota de imprensa, para «publicamente chamar mentiroso ao actual presidente da TAP» e para recordar que «os trabalhadores da SPdH abdicaram de aumentos salariais no ano de 2008, em prol da viabilidade da empresa».
Uma semana depois, veio a público o administrador-delegado da TAP na SPdH, para «voltar à cassete a que já nos habituou». Fernando Melo disse «claramente o que pretende», salienta a estrutura representativa dos cerca de 2900 trabalhadores da empresa saída do handling da TAP: congelar salários, alargar o período de trabalho e anular ou condicionar o Acordo de Empresa (e assim baixar consideravelmente as remunerações).
Ao falar em eventuais despedimentos, Melo apenas segue «a estratégia do seu “mestre”» Pinto. Para a CT, «despedir os trabalhadores subcontratados seria completamente irresponsável e irreal», uma vez que nos balcões de check-in, nas portas de embarque, nos terminais de bagagem, na placa e noutras áreas «a subcontratação germina, qual erva daninha». Perante uma «gritante e evidente» falta de pessoal, responsável por cerca de 300 atrasos mensais, a CT continua a defender que esses trabalhadores, tal como os contratados a prazo, devem ser integrados nos quadros da empresa.
Excepto «a época escolhida para voltar à carga», «nada de novo» se regista quanto aos 200 funcionários que estão na «lista negra», pressionados para saírem.

O interesse do Governo...

A CT da SPdH/Groundforce responsabiliza o Governo por a empresa se encontrar «à beira do abismo». Entre as medidas e decisões que acarretaram muitos milhões de euros de perdas, nos últimos anos, volta a surgir a diminuição sistemática dos preços praticados pelas duas empresas que executam as operações de handling nos aeroportos, ambas tuteladas pelo Estado (a SPdH tem como accionista a TAP, enquanto a Portway pertence à ANA).
A contrapor à previsão da administração, de 20 milhões de euros de prejuízo da SPdH no final do corrente ano, a CT afirma que, «se o preço por movimento, cobrado em 2002, se mantivesse, a facturação em 2008 teria sido superior em 25,5 milhões de euros, e se este visse acompanhado a taxa de inflação, o aumento teria sido de 53,2 milhões», resultados que seriam obtidos «mesmo com os actuais projectos ruinosos».
«Será que ao Governo interessa assim tanto a desvalorização da SPdH, para dessa forma valorizar a Portway e, com isso, tornar ainda mais atractivo o pacote de privatização da ANA, que se avizinha?» - questiona a CT.


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